ECONOMIA INDUSTRIAL: SITUAÇÃO DE GUERRA NA ROTA DOS PETROLEIROS COMERCIAIS E RISCOS, ELEVAM OS CUSTOS DA MINERAÇÃO E DO AGRONEGÓCIO BRASILEIRO.

 

SITUAÇÃO DE GUERRA NA ROTA DOS PETROLEIROS  COMERCIAIS E RISCOS, ELEVAM OS CUSTOS  DA MINERAÇÃO E DO AGRONEGÓCIO BRASILEIRO.


SITUAÇÃO MACRO NA ECONOMIA GLOBAL
  •  A escalada de tensões e conflitos no Oriente Médio (notadamente envolvendo ataques EUA/Israel-Irã no início de 2026) gera impactos diretos e indiretos na economia brasileira, com riscos concentrados em commodities e logística.
  • Os principais problemas para o Brasil decorrem da alta no preço do petróleo, encarecimento de fretes e insumos para o agronegócio.

1. Petróleo e Diesel

  • Aumento de Preços: Tensões no Estreito de Ormuz (rota crucial de petróleo) tendem a elevar o preço internacional do barril, o que pressiona os combustíveis no Brasil.
  • Impacto no Diesel: O aumento do petróleo eleva o custo do frete e o preço do diesel. Embora o Brasil importe diesel principalmente da Rússia e EUA, a volatilidade global impacta o mercado interno.
  • Pressão Inflacionária: O aumento dos combustíveis encarece o transporte de cargas, gerando um efeito cascata no preço de alimentos e insumos.

2. Agronegócio (O setor mais afetado)

  • Fertilizantes: A região é um importante fornecedor e o Estreito de Ormuz é uma rota estratégica de exportação de ureia (fertilizante fundamental). O bloqueio ou aumento de custos na rota causa disparada no preço internacional dos fertilizantes, impactando os produtores brasileiros.
  • Exportações (Carne, Soja, Açúcar): A tensão no Golfo Pérsico ameaça as exportações de carne halal (permitida para consumo segundo a lei islâmica) soja e açúcar. Cargas estão com envios suspensos ou enfrentando rotas alternativas mais longas e caras.
  • Riscos de 2026: Especialistas apontam que 2026 pode ser um ano difícil para o agronegócio, especialmente para pequenos e médios produtores, devido ao aumento de custos e possíveis gargalos logísticos.

3. Mineração e Logística

  • Frete Marítimo: O desvio de navios cargueiros (que não passam por áreas de conflito) aumenta o custo e o tempo de envio de minérios e grãos.
  • Logística de Exportação: As interrupções podem afetar a competitividade da mineração e outras commodities brasileiras, caso o custo do frete internacional suba excessivamente.

4. Cenário Geral no Brasil (2026)

  • Conflito no Curto Prazo: O governo brasileiro, através do Ministério da Fazenda, indicou inicialmente que os impactos diretos da guerra no Oriente Médio podem demorar a chegar ao consumidor final, mas o alerta é alto.
  • Inflação: Aumento do petróleo e, por consequência, do frete, pressiona a inflação, o que pode influenciar a taxa de juros (Selic).
  • Risco Geopolítico: O Brasil, ao depender de importação de fertilizantes, enfrenta desafios de soberania e segurança alimentar diante de instabilidades em áreas de fornecimento.

AGRONEGÓCIO E CUSTO CONSIDERADO

  • O óleo diesel é um dos insumos mais críticos para o agronegócio brasileiro, respondendo por uma parcela significativa dos custos operacionais e da logística.
  • Impacto no Custo de Produção: Em certas culturas e regiões, o diesel pode representar até 30% dos custos totais de produção.
  • Logística e Escoamento: O transporte rodoviário, movido a diesel, é predominante no agro. Estudos indicam que o agro está fortemente ligado ao frete, com o custo do diesel afetando diretamente a rentabilidade da produção.
  • Consumo no Campo: O consumo de diesel no campo é alto e continua a crescer, com projeções de alta de 6% em 2026, impulsionado pela expansão da safra em estados como Mato Grosso.
  • Além do diesel fóssil, o setor utiliza cada vez mais o biodiesel (mistura B15 a partir de agosto de 2025), o que conecta a produção de grãos (soja) diretamente com o combustível que movimenta as máquinas.

MINERAÇÃO E CUSTO CONSIDERADO

  • A estrutura de custos na mineração é altamente variável dependendo do tipo de minério, método de lavra (céu aberto ou subterrânea) e localização. No entanto, com base em dados de mercado (2024/2025) e estudos de custos operacionais (OPEX), os custos tendem a se distribuir da seguinte forma aproximada sobre o custo operacional total:

Estratificação dos Custos na Mineração (% Aproximado)

  • Logística e Transporte: 30% - 40% (frequentemente o maior custo, incluindo frete ferroviário/rodoviário e porto). Diesel está presente
  • Mão de Obra: 15% - 25% (salários, encargos, benefícios e serviços de terceiros).
  • Diesel/Combustíveis: 15% - 20% (impactado diretamente pelo custo logístico e movimentação de terra / estéril) 
  • Energia Elétrica: 10% - 15% (altamente significativo em beneficiamento/usinagem e minas subterrâneas).
  • Explosivos e Desmonte: 5% - 10% (varia conforme a dureza da rocha).
  • Impostos e Taxas (CFEM/Outros): 3% - 8% (CFEM varia de 1% a 3,5% sobre a receita bruta, acrescido de impostos corporativos).

Detalhamento dos Componentes

  • Logística (30-40%): Envolve o transporte do minério da mina para a usina e da usina para o cliente final ou porto. O alto custo logístico no Brasil é conhecido como "Custo Brasil".
  • Mão de Obra (15-25%): Inclui o quadro funcional próprio e, significativamente, empresas terceirizadas. Pequenas minas podem ter custos de pessoal proporcionalmente maiores.
  • Diesel (15-20%): Utilizado em escavadeiras, caminhões fora-de-estrada (frota amarela) e perfuratrizes. É um custo volátil.
  • Energia Elétrica (10-15%): Fundamental para o processamento mineral (britagem, moagem, flotação). Minas que utilizam energia renovável ou possuem subestações próprias podem ter custos otimizados.
  • Explosivos (5-10%): Custo crucial na etapa de lavra para desmonte de rocha (perfuração e desmonte).
  • Impostos (3-8%): Além da CFEM (Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais), o setor está sujeito a IRPJ/CSLL (34% sobre lucro) e impostos sobre a folha.
Fonte: UNIDIS - Disciplina Economia Industrial 

IMPACTOS NA ECONOMIA LOGÍSTICA NA VARIAÇÃO DE CUSTO DOS PRODUTOS, FRETES E SERVIÇOS CORRELATOS 

O cenário de instabilidade gera impactos diretos na estrutura de custos das exportações. De acordo com a Federação das Indústrias de Minas Gerais (FIEMG), o aumento nos prêmios de seguros marítimos e a elevação dos fretes são consequências inevitáveis. Além disso, uma possível alta nos preços do petróleo pode pressionar os custos de energia e transporte, afetando a competitividade global do minério brasileiro.

  • A gravidade da situação já é percebida no monitoramento das rotas comerciais. Segundo informações do Brasil Mineral, um navio carregado com 164 mil toneladas de minério de ferro da Anglo American, oriundo da operação Minas-Rio, precisou ser desviado do Golfo de Omã. A embarcação, que deveria atracar no Bahrein no início de março, evidencia o fechamento de fato do Estreito de Ormuz para diversas operações comerciais.
  • Analistas do setor alertam que o bloqueio dessa via estratégica compromete o equilíbrio do mercado global. O Irã detém cerca de 3% da produção mundial de minério de ferro e 1,5% do fornecimento marítimo. O fechamento do estreito, somado à necessidade de formação de estoques de emergência por parte dos compradores, cria uma pressão adicional sobre as curvas de custo e a segurança da cadeia de suprimentos.
  • A infraestrutura logística brasileira possui um volume significativo de carga comprometida com a região. Atualmente, a Anglo American mantém cerca de seis carregamentos em trânsito para Omã e Bahrein, totalizando centenas de milhares de toneladas. Já a Vale, que possui operações de pelotização em Omã, monitora de perto o cenário para garantir a segurança de suas cargas e informar eventuais desdobramentos ao mercado, como destacado pelo Brasil Mineral.
  • O impacto econômico é relevante dado o histórico recente de trocas comerciais. Em janeiro deste ano, as mineradoras brasileiras exportaram mais de 690 mil toneladas de concentrado para o Bahrein, gerando uma receita de US$ 59,3 milhões. No ano anterior, o volume enviado para Omã chegou a 12,74 milhões de toneladas, consolidando a região como um destino estratégico para a produção nacional de minerais.
  • Diante do agravamento das ameaças a navios comerciais no Golfo, as empresas buscam alternativas para mitigar prejuízos. O presidente da FIEMG, Flávio Roscoe, reforça que o cenário internacional exige atenção constante, uma vez que o risco geopolítico altera não apenas a logística, mas as expectativas de preços em toda a cadeia produtiva mineral.

Fonte: CKS on line

(*) Rowan Pedro de Araújo- Atua  como professor de   Economia Industrial na UNIDIS


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