ECONOMIA INDUSTRIAL : UMA MEMÓRIA DE ELIEZER BATISTA, A ENGENHARIA NACIONAL E O PROJETO CARAJÁS

 


Uma coisa que vi na CVRD - Cia Vale do Rio Doce, hoje VALE S/A isso nos anos 80 é que no Projeto Carajás tínhamos uma liderança fortíssima e o ambiente local nos fazia amigos pessoais e profissionais. Vi que o sucesso de um negócio se baseia em liderança, confiança mútua, disciplina e esforço coletivo. É criar um ambiente de comprometimento, coragem e disposição para atingir resultados invejáveis com as pessoas, A Comunicação era excelente!

"60% dos problemas administrativos decorrem da ineficácia da comunicação" ¨(PETER DRUCKER) 100% dos projetos que fizeram sucesso no mundo e foram aplaudidos se deve a comunicação de boa a ótima que tiveram (Rowan Pedro de Araújo)






O Projeto Carajás foi implantado dentro da floresta Amazônica com muitas chuvas e uma logística complexa com uma economia de 1,4 bilhões de US$, único projeto estatal da história do Brasil, que sobrou dinheiro e entregue antes do prazo.
. O Projeto Carajás, é também o pai da palavra Desenvolvimento Sustentável: o conceito de desenvolvimento sustentável só começou a ganhar corpo, quando o empresário suíço Stephan Schmidheiny veio ao Brasil para coordenar a ECO 92 no Rio de Janeiro, e na ocasião visitou o Projeto Carajás (PA) e deparou com os aspectos econômicos, ambientais e sociais aplicados em simultaneidade. Da prática observada, Schmidheiny, partiu para a teoria e organizou o conceito de desenvolvimento sustentável, ampliando o postulado de ênfase ambiental cunhado em 1987 no Relatório Brundtland.
Queiram ou não o Projeto Carajás – CVRD foi uma escola de boas práticas da mineração moderna "verde e sustentável" pioneira em termos de respeito ao frágil ecossistema da Amazônia onde foi aplicado além dos conceitos de proteção ao meio ambiente o exemplo de eficiência da engenharia nacional, sempre defendida por Eliezer Batista. e com resultados aplaudidos nos quatro cantos do planeta..

O líder maior era o eterno engenheiro ferroviário e saudoso ELIEZER BATISTA, que não gostava de ser chamado de Doutor, ENGENHEIRO LÍDER HUMANÍSTICO E HOLÍSTICO DE EXTRAORDINÁRIO TALENTO E VISÃO DA ENGENHARIA LOGÍSTICA - DOUTOR ESTRATEGISTA DE DESENVOLVIMENTO. MEU AMIGO E UM TIPO DE "PROFESSOR E MESTRE PARTICULAR QUE TIVE" meu parente., dizia:.

"Acho que o valor está no trabalho em equipe, é fazer com que todos se sintam orgulhosos de participar de determinado projeto".(Eliezer Batista)
“Desde que entrei na CVRD em 1949 busquei galvanizar a ideia de que nem eu e nem meus colegas éramos inferiores a ninguém. Falta de conhecimento não é atestado de incompetência, mas apenas consequência de um conjunto de variáveis, como dificuldade de acesso e limitações de ordem financeira. Eu olhava para os engenheiros americanos da Morrison Knudsen e acreditava que podíamos aprender tudo o que eles faziam nas obras da Vitória Minas. Dito e feito. Meu estilo de trabalho sempre foi o mais coletivo possível. Todas as grandes decisões eram debatidas em equipe. nesse quesito, tive a sorte de reunir profissionais fuoriclasse. Administrar é a arte de aceitar as diferenças. O que eu podia ter de distinção em relação a outras pessoas – talvez mais relacionamentos, acessos internacionais, contatos com ideias novas – não me dava o direito de desprezar o conhecimento do meu companheiro. A filosofia minha é a seguinte: melhor ideia leva. Não tenho pretensão nenhuma que a ideia seja minha. Até o meu chofer dá palpite".

Eliezer nasceu com o talento da engenharia, , inteligência prodigiosa, liderança e o pensamento sistêmico e holístico conectados. Isso o fez o estrategista e desenvolvimentista como poucos., De outro lado foi batizado de "Nosso eterno presidente ferroviário"
"Desde que entrei na CVRD, não só acompanhei de perto como senti na pele os efeitos das difíceis condições de trabalho. Ficávamos dias no meio do mato, distantes de qualquer sinal de civilização. Ao assumir a presidência da companhia, elegi como prioridade dar o máximo possível de segurança e conforto aos funcionários e seus familiares. Construímos habitação, escolas, hospitais e áreas de lazer. Não fazia isso apenas para ser magnânimo. Havia um interesse corporativo por trás de todas estas ações. Qualquer trabalhador que vê sua família vivendo com dignidade produz mais e melhor.

Desta maneira, criamos o surrado, porém indispensável, conceito de vestir a camisa. A CVRD era uma grande família. Esse espírito não surgiu da noite para o dia, mas foi fruto de um enorme sacrifício coletivo. Cada um dos funcionários sabia que estava gerando riquezas não apenas para o acionista controlador, no caso o governo, mas também para o Brasil e, principalmente, para si próprio. Acompanhei a trajetória dos mais humildes trabalhadores que, com seu esforço, conseguiram fazer de seus filhos médicos, advogados ou engenheiros. Isto sempre foi um dos meus maiores orgulhos.


Fica a nossa eterna gratidão a esse Engenheiro talentoso, humanístico, carismático e competente, Um Grande Formador de Equipes Competentes. Transformou a CVRD de uma mineradora raquítica endividada á beira da falência, toda desacreditada pelo próprio governo seu dono na época, na Gigante Global da Logística do Minério de Ferro. Sempre foi grato aos empregados humildades da CVRD, que o ajudaram a chegar onde ele chegou e sempre elogiou a Engenharia Nacional demonstrada nas obras eficientes do Projeto Carajás.


(*) Rowan Pedro de Araújo é Diretor e Vice Presidente dos Conselhos Empresariais de Mineração e Siderurgia e do Agronegócio da ACMinas - Associação Comercial e Empresarial de Minas. É Professor de Economia Industrial na UNIDIS



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