ECONOMIA INDUSTRIAL : UMA MEMÓRIA DE ELIEZER BATISTA O ETERNO ENGENHEIRO FERROVIÁRIO QUE TRANSFORMOU A VALE DE UMA RAQUÍTICA MINERADORA ENDIVIDADA À GIGANTE DA LOGÍSTICA DE MINÉRIO DE FERRO

 

Acredito que, mais 95% dos empregados atuais da VALE. Muitos que já se aposentaram; outros que já morreram não conhecem e nem conheceram a história da evolução da Companhia Vale do Rio Doce – VALE. Refiro às dificuldades, esforços e valores das pessoas que foram pioneiras e decisivas. Contribuíram e fizeram o gigantismo da VALE.

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A CVRD-VALE, era uma mineradora (minério de ferro) no pico de Cauê em Itabira - MG, raquítica, endividada, sem futuro, à beira da falência e desacreditada pelo seu próprio dono.

Mas a CVRD - VALE foi transformada na Gigante de Logística de Minério de Ferro, estando hoje entre as maiores do planeta e líder individual no minério de ferro. Isso graças a liderança, empatia, trabalho coletivo e talento da engenharia e a iluminada inteligência e coragem de Eliezer Batista, que não gostava de ser chamado de doutor, e a sua equipe composta de empregados “fora de série”.

Eliezer foi um homem à frente de seu tempo. Trabalhava às luzes da engenharia com a alta capacidade de seu raciocínio sistêmico, holístico, estrategista, desenvolvimentista e formador de grandes e brilhantes equipes. Essa foi uma marca forte dele.

Doa em quem doer, mas nós; em nossas famílias, nas escolas, nas nossas cidades e nas empresas principalmente, somos péssimos historiadores de nossos feitos, memórias correlatas às conquistas.. Não damos valor à cultura , ou dos motivos do orgulho maior. Esquecemos com facilidade,

Os fatos históricos e memórias não são repassadas para gerações seguintes, sobre os personagens, os líderes que fizeram por nós. Aqueles que lutaram para o crescimento do Brasil.

“O empregado deve sentir-se dentro da história, escrever capítulos, ser protagonista e criar um final feliz para si mesmo e para seus colegas que compartilham do mesmo pensamento.” José Manuel Velasco. 


MÁRIO CARVALHO: UM NOVAERENSE QUE CONTRIBUIU COM O CRESCIMENTO DA CVRD CIA VALE DO RIO DOCE, hoje – VALE S/A. ELE FOI DECISIVO. Comentário de Eliezer Batista: “Foi o período heroico da Vale do Rio Doce. Colocar a companhia de pé não era apenas um desafio da engenharia; por vezes, era um trabalho para Fernão Dias Paes, Bartolomeu Bueno da Silva e cia. Como bandeirantes, precisávamos nos embrenhar por vegetações fechadas, hostis ao avanço do homem. Nesse período, um personagem de imenso valor foi Mário Carvalho. Mesmo sendo topógrafo.



Mário pode ser perfeitamente emoldurado no rol de engenheiros que trabalharam na formação da CVRD. Seu talento superava qualquer diploma. De origem inglesa e italiana, também nascido em Nova Era, era um homem dotado de um vasto conhecimento técnico, algo fundamental naquele momento. Eram dias medievais. Chegamos a registrar mais de quatro mil acidentes em um só ano. Morávamos todos dentro de vagões, no meio da linha. Ficávamos dias no meio do mato, sem banho, bebendo água suja. Até macaco pegava malária.”

Mário Carvalho é um exemplo de trabalho e dedicação a ser seguido por todos. iniciou a sua carreira na CVRD – VALE como foiceiro de topografia e chegou a Diretor. Em 1949 ele que admitiu pessoalmente o recém formado Engenheiro Eliezer Batista, que presidiu a empresa por duas vezes e a primeira aos 36 anos sendo o 1o presidente de carreira da empresa. O admitiu na CVRD durante obras da ferrovia no trecho da Vitória –Minas em Baguari, próximo de Governador Valadares. Mário Carvalho era um profissional inteligente, humano, trabalhador, dedicado e de alta disposição de “ trabalhar e fazer”.

Isso resume o caráter e postura de Mário Carvalho, o eterno ferroviário que participou de todo crescimento raiz da CVRD – VALE. Ele merece os nossos aplausos, respeito e a nossa homenagem pela história da cultura da ferrovia nacional. Um Engenheiro nato autodidata de elevado raciocínio lógico. Competente e compartilhador de conhecimento, uma qualidade que abrilhantou ainda mais a sua carreira. Ele foi uma referência para uma geração dedicada de empregados ferroviários que gostavam e se orgulhavam de trabalhar na CVRD.

A LIDERANÇA DE ELIEZER BATISTA
“Desde que entrei na companhia, na CVRD em 1949, busquei galvanizar a ideia de que nem eu e nem meus colegas éramos inferiores a ninguém. Falta de conhecimento não é atestado de incompetência, mas apenas conseqüência de um conjunto de variáveis, como dificuldade de acesso e limitações de ordem financeira. . Muitos de meus colegas eram de Nova Era, negros do local Manjaí, pessoas extraordinárias, que muito me ajudaram. Mário Carvalho era de uma disposição fenomenal e Juracy Magalhães uma pessoa formidável!

Logo que voltei dos Estados Unidos, tornei-me o superintendente-geral da Ferrovia Vitória-Minas. Era o que o meu crachá dizia. Mas, naquele momento, eu já tinha as atribuições de superintendente da Vale do Rio Doce inteira. Eu era um dos poucos que detinha o conhecimento sobre todo o processo – a engenharia de minas, o transporte ferroviário e o sistema portuário

"Acho que o valor está no trabalho em equipe, é fazer com que todos se sintam orgulhosos de participar de determinado projeto".(Eliezer Batista)

Eu olhava para os engenheiros americanos da Morrison Knudsen e acreditava que podíamos aprender tudo o que eles, os americanos faziam nas obras da Vitória Minas. Dito e feito; conseguimos!

Meu estilo de trabalho sempre foi o mais coletivo possível. Todas as grandes decisões eram debatidas em equipe. nesse quesito, tive a sorte de reunir profissionais fuoriclasse. Administrar é a arte de aceitar as diferenças. O que eu podia ter de distinção em relação a outras pessoas – talvez mais relacionamentos, acessos internacionais, contatos com ideias novas – não me dava o direito de desprezar o conhecimento do meu companheiro. A filosofia minha é a seguinte: melhor ideia leva. Não tenho pretensão nenhuma que a ideia seja minha. Até o meu chofer dá palpite".

Eliezer nasceu com o talento da engenharia, , inteligência prodigiosa, liderança e o pensamento sistêmico e holístico conectados. Isso o fez o estrategista e desenvolvimentista como poucos., De outro lado foi batizado de "Nosso eterno presidente ferroviário"

"Desde que entrei na CVRD, não só acompanhei de perto como senti na pele os efeitos das difíceis condições de trabalho. Ficávamos dias no meio do mato, distantes de qualquer sinal de civilização. Ao assumir a presidência da companhia, AOS 36 ANOS, MUITO JOVEM AINDA; elegi como prioridade dar o máximo possível de segurança e conforto aos funcionários e seus familiares.

Construímos habitação, escolas, hospitais e áreas de lazer. Não fazia isso apenas para ser magnânimo. Havia um interesse corporativo por trás de todas estas ações. Qualquer trabalhador que vê sua família vivendo com dignidade produz mais e melhor.

MR. SIMPSON - Engenheiro Americano da Morrison Knudsen

Desta maneira, criamos o surrado, porém indispensável, conceito de vestir a camisa. A CVRD era uma grande família. Esse espírito não surgiu da noite para o dia, mas foi fruto de um enorme sacrifício coletivo. Cada um dos funcionários sabia que estava gerando riquezas não apenas para o acionista controlador, no caso o governo, mas também para o Brasil e, principalmente, para si próprio. Acompanhei a trajetória dos mais humildes trabalhadores que, com seu esforço, conseguiram fazer de seus filhos médicos, advogados ou engenheiros. Isto sempre foi um dos meus maiores orgulhos.

Juracy Magalhães teve uma influência muito grande nesse período. Quando a Morrison Knudsen foi embora, ferrovia e mina ficaram entregues às baratas. Não havia dinheiro para nada; o Brasil não tinha crédito internacional. Era mais fácil extrair minério com as mãos do que obter recursos financeiros. Fiz diversas viagens ao Rio de Janeiro para convencer a diretoria da Vale a investir no projeto. Juracy foi um dos poucos que acreditou naquele trabalho. É o verdadeiro “São Juracy da Vale do Rio Doce”.(Eliezer Batista)
POR QUE A VALE CRESCEU?

Entre os anos 50 e 60, o Brasil tinha minério em abundância, mas ninguém queria comprá-lo. O Japão precisava de minério para reerguer sua indústria siderúrgica destruída na Segunda Guerra.  Vi  ali a  oportunidade ímpar de negócio e extraordinária para o Brasil. Na época os Estados Unidos e Europa não queriam vender minério para os japoneses, temendo que o Japão reerguesse o seu poderio bélico . O Japão queria comprar minério e a VALE precisava vender minério. A venda de minério para o Japão, dado aos patamares da logística  e preço só compensaria se fosse feita em grandes volumes. Coisa para embarcações de 100 mil toneladas. Não havia navios desse porte, os maiores era de 36 mil. Se houvesse estes navios, não existia um porto adequado . E mesmo com esse porto, o transporte só seria viável, se levássemos minério de ferro para o Japão e na volta os navios trouxessem petróleo do Oriente Médio. 

Estava ciente que estávamos causando um sério problema diplomático para o Brasil com os EUA e Europa, , mas era a única saída para erguer a VALE, na época uma mineradora raquítica e à beira da falência que precisava vender minério. A VALE começava a crescer aí,  porque tínhamos o mercado cativo do Japão e o que era produzido estava 100%  vendido para os japoneses.


Foi difícil, mas convencemos os japoneses a investir na construção de navios de 100 mil toneladas (o maior do mundo na época era de 35 mil). Fui chamado de super megalomaníaco pelos leigos e pessimistas. Construímos o porto de Tubarão para recebê-los e acertamos com a Petrobrás, o transporte de petróleo do oriente, com o retorno nos mesmos navios, que levavam minério para o Japão. Mudamos completamente o perfil da navegação mundial. Vencemos com coragem os obstáculos.

Fiz  178 viagens ao Japão para diversificar a VALE em assuntos de venda de minério, navegação, celulose, alumínio, etc. A Vale cresceu, o Brasil idem. A Doceneve que criamos para transportar minério para o Japão  diversificou e chegou a ser a 3a maior frota mercante do planeta, chegando a ter uns 60 navios e o parque siderúrgico do Japão e o país como um todo cresceram!  (Eliezer Batista)


Acho que as mineradoras unidas em prol da sustentabilidade, vão se movimentar e buscar um amplo intercâmbio tecnológico entre escolas corporativas particulares, federais, grupos de estudos científicos e seus empregados locais para estudarem isso. Bancar a pesquisas, educação, treinamento ambiental, feiras tecnológicas de todos os níveis da educação. 

Fomentando o conhecimento para uso maciço de energias limpas e renováveis. Alguns países estão transformando lixo em energia e o plástico em dormentes para as suas ferrovias. Os nossos pesquisadores precisam ver isso de perto, para adaptarmos, copiarmos para o bem no Brasil. Temos gente competente e capaz, que visitando outros países podem dar produção cientifica, capital operacional, know how, criatividade e evolução de processos verdes. 



No japão, 62% do lixo vira energia. Na Suíça, 59%, na França, 37%. O brasileiro é muito criativo e tem esta qualidade nata. A criatividade precisa ser aproveitada, incentivada e estimulada, porque isso é talento, é capital humano, não podemos desperdiçar ideias. Quando iniciei a vida de engenheiro na Vitória Minas, recebia ideias dos mestres de linha e mantenedores, brilhantes. Isto criou em mim uma maneira coletiva de trabalhar. “A filosofia aqui é a seguinte: melhor ideia leva. Não tenho pretensão nenhuma de que a ideia seja minha. Até o meu chofer dá palpite“. (Dr.Eliezer Batista)

“A engenharia sempre me remeteu a uma só palavra: realização. Aprendi com meu pai que o homem é aquilo que ele constrói, ensinamento ao qual me agarrei no mais concreto dos sentidos. Sempre fui, acima de tudo, um construtor. A engenharia é a apoteose da física e da matemática. Em uma exuberante metamorfose, números e cálculos rompem o casulo da teoria e se revelam em resultados práticos. A diferença entre o advogado e o engenheiro é que o advogado nos ensina a “viver com” e o engenheiro nos ensina a “viver de”. Seu conceito jamais fenece, ao contrário do conhecimento tecnológico, este sim, nuvem rala e passageira. A tecnologia é obsoleta pela própria natureza. As informações não se acumulam, apenas substituem umas às outras. Eu me lembro do Doutor Burlamaqui de Mello, no seu tempo o maior conhecedor de locomotiva a vapor do Brasil. Ficou parado para sempre na mesma estação. 




Quando surgiu a locomotiva a diesel, todo o conhecimento que ele tinha virou fumaça. Atualmente, a tecnologia é ainda mais cruel com quem se dedica somente a ela. São tantas e tão rápidas as mudanças que um empreendedor corre o risco de estar sempre inaugurando a mais moderna fábrica obsoleta do mundo. A tecnologia é a aplicação prática da ciência para fins meramente utilitários e momentâneos. Já a física e a matemática jamais se apagam. (Eliezer Batista)”

Uma coisa que vi na CVRD - Cia Vale do Rio Doce, hoje VALE S/A isso nos anos 80 é que no Projeto Carajás tínhamos uma liderança fortíssima e o ambiente local nos fazia amigos pessoais e profissionais. Vi que o sucesso de um negócio se baseia em liderança, confiança mútua, disciplina e esforço coletivo. É criar um ambiente de comprometimento, coragem e disposição para atingir resultados invejáveis com as pessoas, A Comunicação era excelente!

"60% dos problemas administrativos decorrem da ineficácia da comunicação" ¨(PETER DRUCKER) 100% dos projetos que fizeram sucesso no mundo e foram aplaudidos se deve a comunicação de boa a ótima que tiveram (Rowan Pedro de Araújo)





ELIEZER BATISTA E O PRESIDENTE FIGUEIREDO

"O Brasil precisa de homens e líderes da competência de Eliezer Batista, que tem iniciativa e "acabativa", que fala pouco, não promete o que não pode cumprir e sabe formar equipe de gente forte e competente.
**Ele trabalha, pensa e age com a pura engenharia que realiza e faz acontecer. **
**O exemplo meu hoje; é a competência que a VALE implantou o Projeto Carajás sob o comando de Eliezer. **
**Quem não aplaude a magnitude dessa obra, 100% filha da nossa Engenharia Nacional? **
**Está provado que temos muitos engenheiros de 1a linha, de categoria mundial e Eliezer valoriza esse nosso patrimônio brasileiro , como ninguém! ** (ANTÔNIO ERMÍRIO DE MORAES)

O Projeto Carajás foi implantado dentro da floresta Amazônica com muitas chuvas e uma logística complexa com uma economia de 1,4 bilhões de US$, único projeto estatal da história do Brasil, que sobrou dinheiro e entregue antes do prazo.

. O Projeto Carajás, é também o pai da palavra Desenvolvimento Sustentável: o conceito de desenvolvimento sustentável só começou a ganhar corpo, quando o empresário suíço Stephan Schmidheiny veio ao Brasil para coordenar a ECO 92 no Rio de Janeiro, e na ocasião visitou o Projeto Carajás (PA) e deparou com os aspectos econômicos, ambientais e sociais aplicados em simultaneidade.


Da prática observada, Schmidheiny, partiu para a teoria e organizou o conceito de desenvolvimento sustentável, ampliando o postulado de ênfase ambiental cunhado em 1987 no Relatório Brundtland.


Queiram ou não o Projeto Carajás – CVRD foi uma escola de boas práticas da mineração moderna "verde e sustentável" pioneira em termos de respeito ao frágil ecossistema da Amazônia onde foi aplicado além dos conceitos de proteção ao meio ambiente o exemplo de eficiência da engenharia nacional, sempre defendida por Eliezer Batista. e com resultados aplaudidos nos quatro cantos do planeta..

O nosso líder maior é eterno engenheiro ferroviário e saudoso ELIEZER BATISTA, que não gostava de ser chamado de Doutor, ENGENHEIRO LÍDER HUMANÍSTICO E HOLÍSTICO DE EXTRAORDINÁRIO TALENTO E VISÃO DA ENGENHARIA LOGÍSTICA - DOUTOR ESTRATEGISTA DE DESENVOLVIMENTO. MEU AMIGO E UM TIPO DE "PROFESSOR E MESTRE PARTICULAR QUE TIVE" meu parente também que dizia:

Uma mina sem transporte logística é cascalho, uma ferrovia sem carga é ferro velho. Navio parado na barra de porão vazio é barco pesqueiro. Mineradora de minério de ferro só é forte com ferrovia forte. O Brasil tinha de duplicar a sua malha ferroviária para elevar a sua competitividade. Somos fracos em malha ferroviária. Ferrovia é um investimento necessário no Brasil. Nenhum país cresce sem uma logística ferroviária abrangente".

Fica a nossa eterna gratidão a esse Engenheiro talentoso, humanístico, carismático e competente, Um Grande Formador de Equipes Competentes. Transformou a CVRD de uma mineradora raquítica endividada á beira da falência, toda desacreditada pelo próprio governo seu dono na época, na Gigante Global da Logística do Minério de Ferro. Sempre foi grato aos empregados humildades da CVRD, que o ajudaram a chegar onde ele chegou e sempre elogiou a Engenharia Nacional demonstrada nas obras eficientes do Projeto Carajás.








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