ECONOMIA INDUSTRIAL : VALORIZAÇÃO DE AÇÕES DE EMPRESAS MINERADORAS DE TERRAS RARAS ATÉ DE 390% a 500% - ESTADOS UNIDOS X CHINA

 


VALORIZAÇÃO DE AÇÕES DE EMPRESAS DE TERRAS RARAS  ATÉ DE 390% a 500%

Algumas empresas de terras raras tiveram valorizações notáveis, com os ganhos mais expressivos em um curto período chegando a mais de 500% em uma semana para a Critical Metals Corp. (CRML) em outubro de 2025, e mais de 390% no acumulado do ano para algumas mineradoras brasileiras no início de 2025. 

EEsses minerais são essenciais para a fabricação de tecnologias de alta performance, como superímãs para carros elétricos e turbinas eólicas, telas de smartphones e componentes de defesa. O Brasil possui uma das maiores reservas mundiais desses recursos.

  • ·      Os mercados de terras raras são voláteis e sensíveis a fatores geopolíticos, como a busca por reduzir a dependência da China na cadeia de suprimentos. Isso resultou em picos de valorização significativos para empresas específicas:
  • ·      Critical Metals Corp. (CRML): Esta empresa viu suas ações dispararem mais de 500% em apenas uma semana em outubro de 2025, e mais de 10 vezes desde o início do ano.
  • ·      Mineradoras no Brasil: Ações de empresas de terras raras com projetos no Brasil subiram até 390% no acumulado de 2025.

OUTRAS EMPRESAS NOTÁVEIS:

  • ·      A MP Materials (MP) subiu de cerca de US$ 66 para mais de US$ 100 por ação após ameaças comerciais da China em novembro de 2025.
  • ·      A USA Rare Earth (USAR) valorizou-se de aproximadamente US$17,30 para um pico de cerca de US$ 44 no mesmo período.
  • ·      No geral, as ações de mineradoras de terras raras listadas nos EUA tiveram um "boom", com algumas valorizando mais de 300% ao longo de 2025.
  • ·      Esses picos de valorização estão frequentemente ligados a notícias específicas sobre acordos governamentais, novos projetos ou tensões geopolíticas que destacam a importância estratégica desses minerais. 

OUTRAS ABORDAGENS

  • ·      As ações de empresas com projetos de terras raras no Brasil registraram fortes altas em 2025, mas a avaliação se estão supervalorizadas depende de análises de mercado específicas e da maturidade dos projetos. Algumas ações, como as da Brazilian Rare Earths (BRE), tiveram valorizações significativas e, segundo analistas, ainda apresentam potencial de alta, enquanto outras avaliações indicam que podem estar caras.

DESEMPENHO E AVALIAÇÃO DAS AÇÕES

  • ·      Altas expressivas: As ações de empresas com projetos de terras raras no Brasil subiram até 390% em 2025. Esse movimento foi impulsionado, em parte, pelo crescente interesse global em diversificar a oferta desses minerais estratégicos, que são essenciais para tecnologias como carros elétricos e equipamentos de alta tecnologia, fora da China.
  • ·      Avaliações de Analistas: A Brazilian Rare Earths (BRE), listada na bolsa de valores australiana (ASX), é um exemplo. Analistas do mercado de ações australiano têm uma classificação consensual de "Strong Buy" (Compra Forte) para a BRE, com um preço-alvo médio que sugere um potencial de valorização significativo.
  • ·      No entanto, outras fontes de análise, como a Morningstar, sugerem que a ação pode estar "ricamente precificada" ou cara em certos momentos.
  • ·      Empresas em estágio inicial: Muitas das empresas que atuam nesse setor no Brasil, como a BRE, Aclara Resources e Viridis Mining, estão em estágio pré-operacional ou inicial e buscam financiamento bilionário para desenvolver seus projetos. A valorização das ações reflete, em grande parte, as expectativas futuras de produção e a relevância estratégica dos minerais, e não necessariamente lucros ou receitas atuais.

FATORES DE RISCO E POTENCIAL

  • ·      Apesar do otimismo e da alta nas ações, o mercado de terras raras no Brasil apresenta características importantes a serem consideradas:
  • ·      Falta de Refinarias: O Brasil possui a segunda maior reserva mundial de terras raras, mas detém apenas 1% do mercado global porque não possui tecnologia de refino e transformação em larga escala.
  • ·      O desenvolvimento dessa capacidade exige investimentos maciços e tecnologia avançada.
  • ·      Volatilidade e Especulação: O mercado é sensível a tensões geopolíticas (como controles de exportação da China) e a notícias sobre investimentos, o que pode levar a picos de valorização e volatilidade.
  • ·      Riscos de Investimento: Investir nessas empresas envolve riscos, pois muitos projetos ainda são de longo prazo e dependem de licenciamento, desenvolvimento de infraestrutura e condições regulatórias favoráveis.
  • ·      Em resumo, as ações tiveram um desempenho notável em 2025 devido ao potencial do setor, mas a percepção de supervalorização varia entre analistas e investidores, dependendo das métricas de avaliação utilizadas (potencial futuro versus resultados atuais).

CONCEITO DE TERRAS RARAS

  • ·      Os Elementos de Terras Raras (ETR) são um grupo de 17 elementos metálicos, incluindo os 15 lantanídeos, além do escândio e do ítrio. São essenciais para aplicações de alta tecnologia, como eletrodomésticos, veículos elétricos (VEs) e sistemas de defesa. Embora não sejam extremamente raros, são difíceis de extrair devido à sua natureza dispersa e ligações químicas. Historicamente, são chamados de "terras raras" porque minerais raros foram descobertos, e "raro" refere-se ao desafio de extraí-los economicamente, não à sua escassez na crosta terrestre.

CARACTERÍSTICAS PRINCIPAIS:

  • ·      Composição do grupo: Os 15 lantanídeos (Cério a Lutécio) mais Escândio (Sc) e Ítrio (Y).
  • ·      Propriedades: Metais brilhantes, macios, branco-prateados com propriedades magnéticas, ópticas e catalíticas únicas.
  • ·      Na verdade, não são raros: Encontrados globalmente, frequentemente junto com outros metais, mas em baixas concentrações, o que dificulta a extração. Por que são importantes:
  • ·      Tecnologia habilitadora: Atuam como "vitaminas" para a tecnologia moderna, tornando os dispositivos menores, mais rápidos e ainda mais eficientes.
  • ·      Aplicações: Essenciais para smartphones, computadores, turbinas, veículos elétricos (VEs), lasers e sistemas militares.
  • ·      Transição energética: Tecnologias verdes, como motores de VEs e turbinas.

DESAFIOS:

  • ·      Dificuldade de extração: Ligações fortes e baixas concentrações exigem processos que consomem muita energia e, muitas vezes, são poluentes.
  • ·      Cadeia de suprimentos: A China domina a mineração e o refino, criando vulnerabilidades na cadeia de suprimentos

EXEMPLOS E USOS COMUNS:

  • ·      Neodímio, Praseodímio: Ímãs de alta voltagem para telefones, VEs e turbinas.
  • ·      Cério: Catalisadores, polimento, telas de TV.
  • ·      Európio: Cor em TVs e iluminação.
  • ·      Érbio: Fibra óptica e lasers.
  • ·      Gadolínio: Contraste em ressonância magnética e ímãs.

17 MINERAIS CONSIDERADOS TERRAS RARAS

Os 17 Elementos Terras Raras:

  • 1. Lantânio (La)
  • 2. Cério (Ce)
  • 3. Praseodímio (Pr)
  • 4. Neodímio (Nd)
  • 5. Promécio (Pm)
  • 6. Samário (Sm)
  • 7. Európio (Eu)
  • 8. Gadolínio (Gd)
  • 9. Térbio (Tb)
  • 10.                Disprósio (Dy)
  • 11.                Hólmio (Ho)
  • 12.                Érbio (Er)
  • 13.                Túlio (Tm)
  • 14.                Itérbio (Yb)
  • 15.                Lutécio (Lu)
  • 16.                Escândio (Sc)
  • 17.                Ítrio (Y)

POR QUE SÃO IMPORTANTES?

  • ·      Propriedades Únicas: Possuem características como magnetismo e capacidade de absorção/emissão de luz.
  • ·      Tecnologia Moderna: Indispensáveis em ímãs potentes (Nd, Dy), telas de LED/LCD (Eu), catalisadores, turbinas eólicas, baterias, drones e equipamentos militares.
  • ·      Estratégicos: São considerados minerais críticos para a transição energética e defesa, com a China dominando grande parte da produção.

DESAFIOS:

  • ·      Embora não sejam escassos, são difíceis de extrair e separar dos minerais (como monazita e bastnaesita) em concentrações economicamente viáveis, exigindo processos químicos complexos e caros.





Rowan Pedro de Araújo  é  Vice Presidente dos Conselhos Empresariais de Mineração e Siderurgia e do Agronegócio da ACMinas - Associação Comercial e Empresarial de Minas - Atua  como professor de   Economia industrial na UNIDIS

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