Texto escrito por Edra Gondim
Araújo e Rowan Pedro de Araújo bisnetos
de Júlia Araújo, Edra é filha de Aloysio de Araújo e Rilene Gondim de
AraújoEM 1912 JÚLIA PEREIRA ARAÚJO EM UM EXEMPLO DE PRESERVAÇÃO DO MEIO AMBIENTE - FESTA DA ÁRVORE COMO LÍDER DESSAS INICIATIVAS
Júlia Pereira Araújo (nascida em
Nova Era, MG em 6 de outubro de 1855 e falecida em Nova Era, em 16 de maio de
1920). Casou com Celestino de Araújo Silva, falecido em Nova Era, MG em 2 de
julho de 1887. Assim, foi essa jovem viúva, possuidora de forte personalidade e
de uma fé cristã inabalável, a provedora e protetora de seus filhos. Os meninos
foram matriculados no Colégio Caraça, Santa Bárbara, conforme consta nos
arquivos desse renomado educandário. Mãe zelosa e amorosa são muitos os relatos
dessa relação familiar narrada por seus descendentes, mas um fato, em especial,
provoca nossa reflexão, principalmente porque vivemos em uma sociedade
violenta, repleta de preconceitos, cheia de privilégios que só agravam os
problemas sociais no Brasil.
Aloysio de Araújo, seu neto, contava
que Júlia Pereira Araújo residia em sua área rural hoje bairro Manjaí , ela era
abolicionista e humanista. Libertou seus escravos antes da Lei Áurea de 1888.
Providenciou em 1889, a certidão de nascimento de todos os seus colaboradores e
colocou seus nomes, Pereira, em cada registro. além de fazer de seus
colaboradores, pessoas livres, lhes concedeu cidadania, porque é a certidão de
nascimento, o documento que comprova a existência legal de uma pessoa, sendo a
base para o exercício da cidadania. O ato de doar seu nome, Pereira, significa
que todos somos irmãos e uma só família. Nós, seus descendentes, recebemos essa
grandiosa herança, “a prática do amor ao próximo”. Nova Era, sua terra natal,
cujo padroeiro é São José da Lagoa, o “protetor dos trabalhadores” e “protetor
da família” ficou o exemplo de respeito a dignidade humana. Júlia Pereira
Araújo, uma mulher muito além do seu tempo.
Para Júlia Pereira Araújo os nossos aplausos e a nossa admiração e
gratidão pelo seu gesto de humanidade, justiça, afeto e ternura.
Contam seus descendentes que a
novaerense Dona Júlia, já viúva, pegou três de seus filhos ainda garotos e
levou-os a cavalo para estudarem no Seminário do Caraça.
Este fato ocorreu no final do
século 19, ao ser recebida pelo padre para poder matriculá-los, Dona Júlia foi
informada que necessariamente deveria estar acompanhada de seu marido.
Mas ela era da viúva, e ouviu do
padre para buscar o pai do pai, algum
irmão ou até mesmo algum cunhado.
Dona Júlia alegou que havia
viajado à cavalo por três dias, vindo de Nova Era, com os filhos para a finalidade de se matricularem, mas o Padre não cedeu.
Assim, Dona Júlia decidiu
acampar no adro da Igreja local e
demonstrar a sua vontade de alí permancer até à uma possível reflexão do Padre. O
padre então acabou cedendo à determinação de Dona Júlia Araújo Pereira e autorizou a matrícula dos seus três filhos. Um dos padres auxiliáres disse: "nunca vi uma mulher de tanta fibra. A sua determinação é dura como beira de sino ".
Assim, Dona Júlia Augusta Pereira
Araújo, de Nova Era talvez tenha sido a mulher brasileira que conseguiu
matricular seus primeiros filhos, sem a presença de um homem ao seu lado, ela
era uma mulher humana, dinâmica e à frente de seu tempo.
Fonte: Adeus São José da Lagoa,
autoria do médico Dr. José Batista Filho (irmão de Eliezer Batista)
Comentários
Postar um comentário