ECONOMIA INDUSTRIAL - LEMBRANÇA DE DOIS ÍCONES DA MINERAÇÃO: ELIEZER BATISTA E JOSÉ MENDO MIZAEL DE SOUZA

 




  A   Mineração  e  a transmissão  de  Coragem, conhecimento,  inovação,  valores, know  how  e   t ecnologia

Eliezer Batista da Silva (1924-2018) foi um proeminente engenheiro, empresário e político brasileiro, conhecido por sua atuação na presidência da Companhia Vale do Rio Doce (atual Vale S.A.) por duas vezes 

Principais Realizações e Cargos:

"Engenheiro do Brasil": Apelido que recebeu por sua contribuição para o desenvolvimento da infraestrutura nacional.

Presidente da Vale: Exerceu a presidência da então estatal Companhia Vale do Rio Doce em dois períodos (1961-1964 e 1979-1986), sendo o primeiro funcionário de carreira a ocupar o cargo aos 36 anos de idade e acumulou o Ministério das Minas Energia como Ministro.

 Foi responsável por transformar a mineradora em uma das maiores companhias do mundo, aumentando significativamente seus lucros anuais e desenvolvendo o Projeto Grande Carajás com a economia de US$ 1,4 bilhões e entregue antes do prazo. O único projeto estatal da história com essa condição. Além de inserir o Projeto Carajás na "elite verde da mineração sustentável", A palavra Desenvolvimento Sustentável gamhou força pela repercussão do Projeto Carajás na ECO 92.

Parceria Brasil-Japão: Foi pioneiro na negociação de uma parceria que viabilizou a exportação de minério de ferro em larga escala para o Japão e a construção do Porto de Tubarão (ES).

Cargos Governamentais: Ocupou o cargo de ministro de Minas e Energia no governo João Goulart (1962-1963) e foi secretário de Assuntos Estratégicos no governo em 1992.

Outras Atividades: Atuou em empresas de mineração internacionais nos EUA e Alemanha e foi um dos fundadores do Conselho Empresarial Brasileiro de Desenvolvimento Sustentado (CEBDS).

Eliezer Batista faleceu em 18 de junho de 2018, aos 94 anos, no Rio de Janeiro. 

José Mendo Mizael de Souza (falecido em setembro de 2019) foi um renomado engenheiro de minas e metalurgista brasileiro, reconhecido como uma liderança internacional no setor mineral. Ele foi um dos fundadores do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram) e presidiu a J.Mendo Consultoria Ltda. Foi eleito com um dos “100 Engenheiros do Século” pela Associação dos Ex-Alunos da Escola de Engenharia da Universidade Federal de Minas Gerais e a Sociedade Mineira dos Engenheiros entre todos aqueles que se formaram na EEUFMG nos primeiros cem anos (1911 a 2011) de existência da referida Escola.

Principais realizações e cargos:

Formação: Graduou-se em Engenharia de Minas e Metalurgia pela Escola de Engenharia da Universidade Federal de Minas Gerais (EEUFMG) em 1961 e foi Ex-Aluno Honorário da Escola de Minas de Ouro Preto.

Fundador e Líder: Além de ser um dos fundadores do Ibram, também foi presidente do Conselho Diretor e da Diretoria da APROMIN (Associação Brasileira para o Progresso da Mineração).

Consultoria: Atuou como presidente da J.Mendo Consultoria Ltda, onde foi uma figura central em consultoria estratégica para o setor.

Reconhecimento: Sua contribuição foi notável, tendo recebido a Medalha de Mérito dos 150 Anos do Canadá, entregue pelo governo canadense por meio de seu embaixador no Brasil.

Especialista em Legislação: Era conhecido por seu profundo conhecimento e interesse na legislação mineral brasileira, desde a Constituição de 1988 até portarias e instruções normativas.

Ele faleceu em Belo Horizonte em 23 de setembro de 2019, deixando um legado significativo para a indústria de mineração brasileira.

Dr. Mendo dizia: “foi da mineração subterrânea que surgiu o aprimoramento elevador. O elevador é uma das maiores invenções da história. Por que? Ele deu uma grande contribuição para humanidade na economia de utilização do espaço horizontal da superfície. Os elevadores são as almas funcionais dos prédios e edifícios do mundo inteiro para acomodar a população do planeta, civil e de serviços de mais de 8 bilhões de pessoas. Isto é fantástico, para a vida do homem nas cidades. Se não fosse os prédios a ocupação da superfície seria horizontal e muitas vezes maiores. Trazendo muito mais problemas. Os elevadores são minerais transformados. Os prédios, edifícios são construídos com ferragem, brita e areia (mineração) o vidro veio da areia os edificios, estruturas e acabamento são originários da mineração" (Dr.José Mendo Mizael de Souza)

O primeiro elevador do mundo mais equipado , foi construído em Roma pelo arquiteto romano Vitruvius, que viveu no século I a.C., e criou uma plataforma suspensa para transportar pessoas e materiais pesados através de um conjunto de roldanas, movidas por força humana, animal, ou água.

A mineração incrementou a "tecnologia dos elevadores", deu celeridade na sua evolução e projetos mais robustos,

Dr. Mendo, ícone e mestre nos dizia: “ A mineração da água e das minas subterrâneas que deu toda capacidade de aprimoramento do elevador.

A logística operacional a tecnologia de otimizar processo é típico da ciência de minerar.

O elevador está entre as as maiores invenções da história da humanidade . Os egipcios usavam elevadres para o transporte de água  para os pontos de mais elevados . Água é Mineração.










“As mineradoras tendem a construírem alianças e desenvolverem projetos, tecnologias gestão de teores e soluções criativas do rejeito. A redução de custo com energia, processos ecoeficientes e nanotecnologia, complementam uma parte, desta moldura do negócio e do avanço da ciência da mineração sustentável. Os problemas de uma mineradora são os mesmos da outra concorrente,  “suas colegas”. As alianças estratégicas já ocorrem entre outros segmentos em busca dos objetivos e benefícios comuns ” (Dr.Eliezer Batista)


Entre os anos 50 e
 60, o Brasil tinha minério em abundância, mas ninguém queria comprá-lo. O Japão precisava de minério para reerguer sua indústria siderúrgic destruída na Segunda Guerra.  Vi  ali a  oportunidade ímpar de negócio e extraordinária para o Brasil. Na época os Estados Unidos e Europa não queriam vender minério para os japoneses, temendo que o Japão reerguesse o seu poderio bélico . O Japão queria comprar minério e a VALE precisava vender minério. A venda de minério para o Japão, dado aos patamares da logística  e preço só compensaria se fosse feita em grandes volumes. Coisa para embarcações de 100 mil toneladas. Não havia navios desse porte, os maiores era de 36 mil. Se houvesse estes navios, não existia um porto adequado . E mesmo com esse porto, o transporte só seria viável, se levassemos minério de ferro para o Japão e na volta os navios trouxessem petróleo do Oriente Médio. Estava ciente que estavávamos causando um sério problema diplomático para o Brasil com os EUA e Europa, , mas era a única saída para ereguer a VALE, na época uma mineradora raquítica e à beira da falência que precisava vender minério. A VALE começava a crescer aí,  porque tinhamos o mercado cativo do Japão e o que era produzido estava 100%  vendido para os japoneses.


Foi difícil, mas convencemos os japoneses a investir na construção de navios de 100 mil toneladas (o maior do mundo na época era de 35 mil). Fui chamado de super megalomaníaco pelos leigos e pessimistas. Construímos o porto de Tubarão para recebê-los e acertamos com a Petrobrás, o transporte de petróleo do oriente, com o retorno nos mesmos navios, que levavam minério para o Japão. Mudamos completamente o perfil da navegação mundial. Fiz  178 viagens ao Japão para diversificar a VALE em assuntos de venda de minério, navegação, celulose, alumínio, etc. A Vale cresceu, o Brasil idem. A Doceneve que criamos para transportar minério para o Japão  diversificou e chegou a ser a 3a maior frota mercante do planeta, chegando a ter uns 60 navios e o parque siderúrgico do Japão e o país como um todo cresceram!  (Eliezer Batista)


Acho que as mineradoras unidas em prol da sustentabilidade, vão se movimentar e buscar um amplo intercâmbio tecnológico entre escolas corporativas particulares, federais, grupos de estudos científicos e seus empregados locais para estudarem isso. Bancar a pesquisas, educação, treinamento ambiental, feiras tecnológicas de todos os níveis da educação. Fomentando o conhecimento para uso maciço de energias limpas e renováveis. Alguns países estão transformando lixo em energia e o plástico em dormentes para as suas ferrovias. Os nossos pesquisadores precisam ver isso de perto, para adaptarmos, copiarmos para o bem no Brasil. Temos gente competente e capaz, que visitando outros países podem dar produção cientifica, capital operacional, know how, criatividade e evolução de processos verdes. 



No japão, 62% do lixo vira energia. Na Suíça, 59%, na França, 37%. O brasileiro é muito criativo e tem esta qualidade nata. A criatividade precisa ser aproveitada, incentivada e estimulada, porque isso é talento, é capital humano, não podemos desperdiçar ideias. Quando iniciei a vida de engenheiro na Vitória Minas, recebia ideias dos mestres de linha e mantenedores, brilhantes. Isto criou em mim uma maneira coletiva de trabalhar. “A filosofia aqui é a seguinte: melhor ideia leva. Não tenho pretensão nenhuma de que a ideia seja minha. Até o meu chofer dá palpite“. (Dr.Eliezer Batista)

“A engenharia sempre me remeteu a uma só palavra: realização. Aprendi com meu pai que o homem é aquilo que ele constrói, ensinamento ao qual me agarrei no mais concreto dos sentidos. Sempre fui, acima de tudo, um construtor. A engenharia é a apoteose da física e da matemática. Em uma exuberante metamorfose, números e cálculos rompem o casulo da teoria e se revelam em resultados práticos. A diferença entre o advogado e o engenheiro é que o advogado nos ensina a “viver com” e o engenheiro nos ensina a “viver de”. Seu conceito jamais fenece, ao contrário do conhecimento tecnológico, este sim, nuvem rala e passageira. A tecnologia é obsoleta pela própria natureza. As informações não se acumulam, apenas substituem umas às outras. Eu me lembro do Doutor Burlamaqui de Mello, no seu tempo o maior conhecedor de locomotiva a vapor do Brasil. Ficou parado para sempre na mesma estação. 




Quando surgiu a locomotiva a diesel, todo o conhecimento que ele tinha virou fumaça. Atualmente, a tecnologia é ainda mais cruel com quem se dedica somente a ela. São tantas e tão rápidas as mudanças que um empreendedor corre o risco de estar sempre inaugurando a mais moderna fábrica obsoleta do mundo. A tecnologia é a aplicação prática da ciência para fins meramente utilitários e momentâneos. Já a física e a matemática jamais se apagam. (Eliezer Batista)”



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