ECONOMIA INDUSTRIAL: COMO O CCQ CHEGOU NA VALE - OS PESSIMISTAS DIZIAM QUE: "CCQ É COISA DE JAPONÊS E NÃO DÁ CERTO NA VALE!" - QUEBRARAM A CARA!

 

CCQ - Círculo do Controle da Qualidade

"Acho que o valor está no trabalho em equipe, é fazer com que todos se sintam orgulhosos de participar de determinado projeto" .Desde que entrei na companhia em 1949, busquei galvanizar a idéia de que nem eu e nem meus colegas éramos inferiores a ninguém. Falta de conhecimento não é atestado de incompetência, mas apenas conseqüência de um conjunto de variáveis, como dificuldade de acesso e limitações de ordem financeira. Eu olhava para os engenheiros americanos da Morrison Knudsen e acreditava que podíamos aprender tudo o que eles faziam nas obras da Vitória Minas. Dito e feito. Meu estilo de trabalho sempre foi o mais coletivo possível. Todas as grandes decisões eram debatidas em equipe – nesse quesito, tive a sorte de reunir profissionais fuoriclasse. Administrar é a arte de aceitar as diferenças. O que eu podia ter de distinção em relação a outras pessoas – talvez mais relacionamentos, acessos internacionais, contatos com idéias novas – não me dava o direito de desprezar o conhecimento do meu companheiro. Ao contrário do poeta, um solitário na dor e no ofício, engenheiro é espécie que vive em grupo. Sozinho, o homem apenas reza; acompanhado, constrói sua própria igreja. Sempre me considerei um homem público por vocação cívica e não por nomeação em Diário Oficial. A filosofia aqui é a seguinte: melhor ideia leva. Não tenho pretensão nenhuma de que a ideia seja minha. Até o meu chofer dá palpite. Minha filosofia de vida é: deixe uma obra bem feita. Nunca aposente o seu cérebro. O homem vale pelo seu conhecimento" (ELIEZER BATISTA)


Os CCQs foram propostos por Ishikawa, responsável por uma abordagem mais humana na qualidade. Segundo ele as pessoas deveriam ser responsáveis por conscientizar-se e propor melhorias em suas atividades, e deveriam ter um mínimo de conhecimento sobre ferramentas da qualidade. Antes de Ishikawa, Taylor havia proposto que as pessoas que executavam o trabalho não deveriam ser responsáveis por planejá-lo, será que ele estava certo?





Os CCQs são grupos de funcionários, em maioria das vezes da mesma área, que se reúnem de forma voluntária para discutir possíveis melhorias de desempenho, reduzir os custos, aumentar a eficiência, reduzir a quantidade de falhas, ou seja, por meio de ideias e interação humana são identificadas oportunidades de melhorias.

A história no Brasil

O CCQ teve início no Brasil em 1971 com a empresa Jonhson & Jonhson (farmacêutica), Volkswagen (automobilística) e Embraer (aviação), sendo pioneira na prática fora do Japão, juntamente com a Coréia e Tailândia. (CHAVES, 2000). Em 1980, no Brasil houve seis associações regionais e a União Brasileira de círculos de controle da qualidade. Em 1986, estas associações trouxeram o professor Ishikawa ao Brasil para ministrar cursos e seminários e nesta época havia em torno de mil organizações desenvolvendo o programa de CCQ.

CCQ (Círculo de Controle de Qualidade) e Kaoru Ishikawa estão intrinsecamente ligados: Ishikawa, um renomado engenheiro químico japonês, é considerado o criador e pai dos CCQs, que são grupos de funcionários que se reúnem voluntariamente para identificar e resolver problemas de qualidade, buscando melhorias contínuas nos processos e produtos de uma empresa, espalhando a cultura da qualidade.   Em resumo, Kaoru Ishikawa desenvolveu a filosofia e a estrutura dos CCQs, transformando-os em uma ferramenta poderosa para a melhoria contínua e a qualidade total nas organizações.


Como se inicia na Vale, suas controladas, associadas, coligadas e joint ventures

Mas o que queremos abordar é como esta ferramenta ganhou espaço dentro da VALE e muito contribuiu em termos de economia, através de grandes trabalhos, que melhoraram a qualidade de vida no ambiente trabalho em todas as unidades da empresa sob todos aspectos relativos a finalidade do CCQ.

Isto acontece no final dos anos 70 e início de 80, quando Eliezer Batista em sua segunda gestão como presidente da VALE, visitava o seu amigo particular Akio Morita, inventor, empresário japonês, especialista em miniturizaização. O conceito de pequeno, tão comum entre os eletrônicos japoneses é explicado por Morita, pela ideia do Mottainai, algo como "não desperdice o que a natureza deu", por isso tentam diminuir o tamanho, usar menos recursos e produzir menos lixo, coisas que também precisamos aprender. Morita era o  co-fundador da Sony Corporation e em uma de suas fábricas da SONY foram apresentadas práticas de CCQ que agradaram Eliezer Batista em relação aos resultados obtidos. Uma apresentação de um grupo de CCQ mesclado de operários simples e engenheiros trazia a economia de 100 mil US$ envolvendo logística, o que chamou a atenção de Eliezer Batista.

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Chegando ao Brasil, entusiasmado com Projeto CCQ
, reuniu com o seu staff da VALE e determinou que fosse criado o projeto de implantação do CCQ nas minas ferrovias, portos e unidades industriais. Ele viu no CCQ uma condição prática de fazer o empregado crescer e ampliar o seu espaço participativo e coletivo e aditivar a comunicação entre as pessoas e aprender a trabalhar em grupo, como os japoneses trabalham e aproveitar o potencial criativo do empregado da VALE, ao entender que o CCQ era um treinamento quotidiano, que rendia dinheiro para a VALE. Eliezer comentou com Pitella Junior um dos diretores da VALE que o acompanhava que o CCQ era uma base educativa motivacional de resultados imediato. E ele estava certo; sempre visionário!

Para Eliezer o empregado da VALE era criativo e próximo de outros iria multiplicar conhecimentos e essa criatividade nata expandia. Sentia que o empregado brasileiro tem deficiência em trabalhar em grupo. "Não somos como os japoneses, coreanos e chineses, que são mestres nisso". E o  CCQ era um exercicio de trabalho em grupo que reunindo engenheiros, operadores e mantenedores em um só ambiente unidos;  e que iriam produzir muito para a VALE. MELHORAR O MATERIAL HUMANO, atuar no comportamento e gerar muita economia. Dito e feito; Eliezer estava certíssimo! O tempo mostra isso! Quase 50 anos se passaram e o CCQ é sucesso inquestionável no Brasil e no mundo.

CCQ no Mundo

  • O movimento de CCQ teve início no Japão em 1962, popularizado pelo professor Kaoru Ishikawa, como parte dos esforços de recuperação econômica e melhoria da credibilidade dos produtos japoneses no mercado global. A metodologia se baseia no uso de ferramentas da qualidade, como o ciclo PDCA, para resolver problemas de forma estruturada.
  • Desde então, o CCQ se espalhou pelo mundo e é adotado em empresas de diversos setores:
  • Difusão global: Grandes corporações com operações em múltiplos países, como a Yazaki Corporation, promovem programas de CCQ em todas as suas filiais globais.
  • No Brasil: A metodologia chegou ao Brasil na década de 1980, principalmente por meio dos programas de Gestão pela Qualidade Total (TQM), e é um programa enraizado na cultura de muitas indústrias, como a Fras-le Mobility e a Vale.
  • Impacto contínuo: No século XXI, o CCQ continua relevante na atualidade, sendo utilizado como uma abordagem eficaz para integrar funcionários, estimular a inovação e garantir a excelência operacional em um mercado competitivo.

Eliezer Batista, sempre considerou Akio Morita, um homem iluminado pela inteligência, criatividade e uma humildade incomum. Akio Morita na opinião de Eliezer Batista foi um exemplo empresarial, que todos deveriam seguir . Ele como poucos, soube conduzir uma administração humana e competitiva na Sony a tornou uma das empresas mais admiradas no mundo.

Eliezer recomendava a todos executivos do Brasil, ler o livro Made in Japan de autoria de Akio Morita. Já li 4 vezes este livro, que é na realidade a trajetória de um dos maiores empresários do mundo, que teve persistência e dedicação ímpar. Um grande exemplo! Eliezer me presenteou com o Made in Japan, o livro escrito por Morita, seu amigo particular em 1999.

Como Morita e Eliezer Batista viam CCQ

Para Akio Morita, a participação ativa de empregados em projetos como este estimulavam e motivavam os empregados a crescerem junto com a empresa e na VALE, Eliezer Batista via no CCQ, não só as afirmações de Morita, mas também um exercício de liderança e treinamento no trabalho em grupo com obtenção de sinergia e criatividade das pessoas, porque o trabalho em grupo bem coordenado ou liderado é capaz de trazer muitas soluções e produzir uma melhoria contínua onde o processo físico é mais robusto. Akio Morita foi um dos homens mais admirados do mundo pela sua inteligência, prodigiosa, simplicidade de dedicação e apoio a recuperação econômica e industrial do Japão.


A melhoria contínua, chamada Kaizen no Japão é o orgulho da cultura industrial dos empregados japoneses. Eles passaram a enxergar o problema na estação de trabalho como oportunidade de crescimento e através do orgulho e disciplina conseguem a solução adequada de forma simples e prática, e sempre trabalhando em grupo, formado por colegas de trabalho. Isto é muito comum nos japoneses e  Akio Morita se entusiasmava com tudo que envolvia a grandeza, cultura, educação, determinação e comportamento de seu povo dentro e fora da indústria. 
Kaizen é uma filosofia japonesa de melhoria contínua que foca em pequenas e graduais mudanças incrementais em todos os aspectos de uma empresa, envolvendo todos os funcionários para alcançar grandes resultados a longo prazo, com o objetivo de otimizar processos, reduzir desperdícios e aumentar a produtividade. A palavra vem de "Kai" (mudança) e "Zen" (para melhor), significando literalmente "mudança para melhor".


  • Morita era um apaixonado pelas crianças, o bem estar delas. Todos seus esforços foi dedicado para fortalecer a economia, educação, cultura e tecnologia do seu povo. A sua visão de estadista era contribuir e dedicar ao crescimento de futuras gerações e sustentabilidade do Japão, país em que nasceu. Ele conseguiu ainda dar toda esta personalidade a Sony, enquanto viveu.
  • O CCQ na VALE reunia um ótimo ambiente e aceite dos empregados e principalmente nas ferrovias, onde as oficinas no trecho são dispersas  e exigiam criatividade e improvisação que casavam perfeitamente com a essência do CCQ, tendo de tudo para dar o resultado mostrado na Sony, assim como nas demais áreas da VALE que tratavam da geologia, mineração, ferrovia, portos, navegação, minério de ferro, pelotização de minério de ferro, logística, energia, ouro, caolim, manganês, projetos de cobre, níquel, titânio, siderurgia, madeira, florestas, celulose, bauxita, alumina, aluminio, etc.

DEPOIS DE QUASE 50 ANOS, MEIO SÉCULO O CCQ CONTINUA SENDO TALVEZ A FERRAMENTA  MOTIVACIONAL DE  EDUCAÇÃO E TREINAMENTO COLETIVO NÃO SÓ DA VALE  COMO UM CONGLOMERADO DAS EMPRESAS MAIS IMPORTANTE DO PAÍS E DO MUNDO. OS PESSIMISTAS E INIMIGOS DE ELIEZER BATISTA QUEBRARAM A  CARA!!

  • O CCQ PRODUZIU MILHÕES DE ECONOMIA, ELEVOU OS NÍVEIS DE  SAÚDE, SEGURANÇA, MEIO AMBIENTE E QUALIDADE DE VIDA NO TRABALHO E AIDA GEROU MILHARES DE PATENTES . PARTICIPEI DE VÁRIOS GRUPOS DE CCQ NA VALE EM 31 ANOS NA EMPRESA.

  • Na Vale hoje,   milhares de participantes em seus Círculos de Controle de Qualidade (CCQs), com um registro de mais de 7 mil empregados em cerca de 1.200 grupos no Brasil em um dado período, sendo que os círculos geralmente contam com pequenos grupos de 3 a 7 pessoas (circulistas), focando em melhorias contínuas





NO BRASIL OCORRREM CENTENAS DE CONVENÇÕES DIVERSAS, INTERNAS, EXTERNAS, REGIONAIS E NACIONAIS DE CCQ. O CCQ É UMA FERRAMENTA DE MELHORIA DE  GESTÃO TESTADA NOS 4 CANTOS DO PLANETA COM RESULTADOS EXTRAORDINÁRIOS.

  • O Que Acontece nas Convenções de CCQ?
  • Apresentação de Projetos: Equipes de diversas empresas mostram seus projetos finalistas em categorias como Lean, Qualidade, Saúde e Segurança.
  • Palestras: Especialistas compartilham conhecimentos e tendências em melhoria contínua e inovação.
  • Treinamentos: Focados no desenvolvimento de habilidades e aplicação de ferramentas da qualidade.
  • Premiação: Reconhecimento das melhores equipes e soluções do estado ou região.
  • Networking: Conecta profissionais de diferentes setores, fomentando a colaboração.

Os benefícios, ganhos e avanço nas empresas através das pessoas

  • O CCQ na VALE e em muitas empresas no Brasil trouxe grande evolução, redução de custo e melhores condições no trabalho. É tido como uma ferramenta importante e sempre moderna para promover o crescimento humano no trabalho e a gestão participativa. Na VALE economizou milhões, otimizou processos em todas unidades de operação e foram registradas centenas de patentes. Foi a ferramenta de maior crescimento humano, profissional, técnico e comportamental da empresa. levou a criatividade, moral dos empregados e a habilidade de trabalhar em grupo. Levou a VALE à um grande progresso.
  • Mas Eliezer Batista na época que pediu a implantação do CCQ na VALE sentiu pesadas resistências, as mesmas sofridas anos as pela Jonhson & Jonhson, muitos caciques e gente de RH, que não sabiam diferenciar uma perfuratriz de uma sonda da mineração, uma bomba de vácuo, de um gerador, ou um vagão de passageiro de um carro controle na ferrovia; diziam que: CCQ era coisa de japonês e que iria fracassar na VALE. Todos que vieram com essa conversa; "quebraram a cara!"

  • As grandes empresas do Brasil, passaram a utilizar o CCQ de forma rotineira promovendo seminários estaduais e nacionais, premiando os melhores trabalhos, inclusive movimentando o registro de patentes, contribuindo com a evolução da tecnologia, know how e competitividade da indústria. Provando ser é uma ferramenta de melhoria extraordinária e ao mesmo tempo uma plataforma de melhoria técnica e comportamental.
  • Funcionando em mix da melhoria da administração de todos departamentos, tais como: de produção, manutenção, operação, engenharia, RH, Saúde Segurança, Meio Ambiente, Supply Chain, Suporte / Serviços Gerais.
  • O CCQ também aprimora de forma extraordinária a Comunicação interna e externa, uma área que é importantíssima e estratégica da Administração estratégica, tática e operacional, sendo capaz de motivar as pessoas. Comunicação é a matéria prima de sucesso de um negócio e essa crença está consolidada nas grandes empresas, que sempre investem nesse departamento, inclusive com o uso de TI, intranet e outras ferramentas de comunicação interessantes.
  • Produzindo dessa forma feedbacks, conhecimento, experiências, competência, habilidades, orgulho das pessoas e crescimento humano. Formando um ambiente coletivo de trabalho e aumento do capital humano nas empresas. O CCQ é conhecido globalmente por esses benefícios e eficiência, dentre eles também o fortalecimento dos líderes e identificação, lapidação e criação de outros líderes sucessores..

Rowan Pedro de Araújo é Diretor e Vice Presidente dos Conselhos Empresariais de Mineração e Siderurgia e do Agronegócio da ACMinas - Associação Comercial e Empresarial de Minas. Atua como Professor de Economia Industrial na UNIDIS



 

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