ECONOMIA INDUSTRIAL : O VISIONÁRIO ELIEZER BATISTA SOBRE EXPORTAR COMMODITIES x PRODUTOS DE MAIOR VALOR AGREGADO

 


Recordo hoje do dia 07 de setembro de 2002, quando  estava no sítio de Eliezer Batista em Pedra Azul no ES,  ele não gostava de ser chamado de doutor; e sim Engenheiro Ferroviário.  Ali estava também o seu grande amigo  Artur Carlos Gerhardt Santos, ex-governador do ES, e o 1º presidente da Cia Siderurgica de Tubarão, a CST, hoje Arcellor Mital. Com a sabedoria e a visão extraordinária de sempre, ele tecia algumas críticas à política de desenvolvimento da nossa indústria nacional, comércio exterior, logística,   baixa competitividade, baixa qualidade operacional e a  pouca qualificação do nosso capital humano. Citava energia cara, carga tributária e burocracia  idem (CUSTO BRASIL)   Segundo ele, já naquela época, ou seja  23 anos atrás,  o país  já errava em não ter uma postura mais agressiva na exportação de produtos industrializados:

S/F Nos anos 50 / 60 o que mais os japoneses queriam era minério
A de ferro, e 0 que a VALE mais queria, era vender minério . Os
| americanos e europeus eram contra vender minério para o
Japao. O receio era o Japao reativar o poderio bélico. Vi ali uma
oportunidade impar, mas arriscada diplomaticamente para fazer
a CVRD dar um passo gigantesco de pequena para gigante e
unica. Mas precisdvamos de um porto maior, se tivesse o
porto. Teria de ter navios de 100 mil toneladas, o maior era de
35 mil. Tendo os navios de 100 mil a operagao so era viavel se
os navios fossem com minério de ferro e voltassem com
petrdleo. Construimos o Porto de Tubarao, convencemos os

japoneses a investir em navios de 100 mil ton. Acertamos com a
ELIEzer Petrobras a logistica dos navios levarem minério de ferro para o
BATISTA  Japdo e voltarem com petréleo do oriente. Inovamos a logistica

transoceanica e enfrentamos uma guerra internacional de
interesses contrarios, e vencemos. O crescimento da VALE

- nascia dessa nossa iniciativa corajosa na logistica,
Lal ves Para ter um negocio de sucesso, alguém, algum dia, teve que
EE tomar uma atitude de coragem... Peter Drucker.

-"Eu vejo (essa elevada participação de produtos básicos nas exportações) como algo muito mau, nós estamos virando uma colônia europeia africana do século passado. E sem agregar valor você não cria empregos de qualidade, o que agrega valor  e carrega mais tecnologia, pessoal mais qualificado e maiores salários.  Disse que o Brasil precisa copiar o modelo coreano para se desenvolver com inovação. Aos 78 anos na época, Eliezer afirmou que  no Brasil se fala muito em educação, mas pouco se faz para elevar a qualidade dos docentes no país. E criticou a falta de conhecimento aprofundado.  O empregado brasileiro leva 1 hora para fazer o que o americano faz em 15 minutos. Falta de conhecimento nunca foi atestado de incompetência , pois é uma causa de limitação financeira, dificuldade de acesso e ausência de um projeto  de educação de  qualidade do país.

Nós temos que repensar o nosso modelo de exportações, porque um país que só exporta matéria prima; terá muitas dificuldades para ficar rico, ou em posIção avantajada. Mas não quer dizer  que é pribido exportar commdities. Vamos supor que hoje a exportação está associada à logística marítma. Quando você avança para o interior de um país continental, o que você vai fazer com as sojas de Mato Grosso? Eu vou procurar exportar a soja de Mato Grosso, mas não como a soja verde. Eu vou para a industrialização máxima da soja como já se está fazendo no Rio Grande do Sul. Produzir proteínas isoladas de 95% de concentração, proteínas texturizadas de 75%, flavonóide, isoflavona, que vale 40 mil dólares a tonelada e isso tudo é frete aéreo. A logística é frete aéreo. À proporção que você se afasta, tem que industrializar, dar mais valor ao produto, para resistir à distância. 

Em suma, o que nós fizemos na Vale do Rio Doce foi vender o produto mais barato do mundo na época, que era minério de ferro, para a maior distância, que era o Japão. O que se teve que fazer? Inventar narizes novos, gigantescos, com economia de escala, com versatilidade para trazer petróleo de volta, portos novos, tudo novo. Isso é inovação. O homem tem cabeça para fazer essas coisas. Sobre esse assunto a Alemanha ganha muito dinheiro com café  e nós somos os maiores produtores do mundo, com as maiores fazendas produtoras de café do mundo."


Acho que as mineradoras unidas em prol da sustentabilidade, vao se movimentar e
buscar um amplo intercambio tecnoldgico entre escolas corporativas particulares,
federais, grupos de estudos cientificos e seus empregados locais para estudarem
isso. Bancar a pesquisas, educagao, treinamento, feiras tecnolégicas de todos os
niveis da educagao. Fomentando o conhecimento para uso macigo de energias
limpas e renovaveis. Alguns paises estao transformando lixo em energia e o plastico
em dormentes para as suas ferrovias. Os nossos pesquisadores precisam ver isso
de perto, para adaptarmos, copiarmos para o bem no Brasil. Temos gente
competente e capaz, que visitando outros paises podem dar produgao cientifica,
capital operacional, know how, criatividade e evolugao de processos verdes. No
i japao, 62% do lixo vira energia. Na Suiga, 59%, na Franga, 37%. O brasileiro é muito
criativo e tem esta qualidade nata. A criatividade precisa ser aproveitada,
incentivada e estimulada, porque isso é talento, é capital humano, nao podemos
desperdicar ideias. Quando iniciei a vida de engenheiro na Vitoria Minas, recebia
ideias dos mestres de linha e mantenedores, brilhantes. Isto criou em mim uma
maneira coletiva de trabalhar. "A filosofia aqui é a seguinte: melhor ideia leva. Nao
tenho pretensdao nenhuma de que a ideia seja minha. Até o meu chofer da palpite”.
(Dr.Eliezer Batista)

WILSON BRUMER: “ELIEZER SEMPRE FOI UM HOMEM À FRENTE DE SEU TEMPO”

"Exportar cada vez mais conhecimento,  Agregar valor ao seu produto, não virar só exportador de matéria-prima como a economia colonial da África antiga, que era exportação de matéria-prima das mais primitivas possíveis. Agora, a floresta tem utilização para tudo. Nós demos o exemplo da celulose aqui, como é que se originou? Imagina a quantidade de empregos que você cria com a celulose, não só de empregos no campo, mas empregos de qualidade em todo processo de industrialização. Uma boa parte dessa questão dos usos econômicos da floresta vem da exploração de biodiversidade e da busca de produtos farmacêuticos.

Essa é a área que está menos atacada, menos conhecida. E é, sobretudo, porque a biodiversidade é rica nos trópicos, justamente as que desenvolveram menos. A Europa é muito pobre em biodiversidade, já acabaram com tudo o que tinham. Aliás, nunca teve muita biodiversidade porque o clima é que define isso. Agora, aqui, infelizmente, é aquilo que eu lhe disse. Nosso futuro está no desenvolvimento científico e tecnológico. O que é a tecnologia? É o uso prático da ciência. Então você tem que criar pessoas, gente  tecnologista, que tenha uma mente e DNA da ciência progressista de back up. Sem essa condição e sem investimento e pessoas competentes estaremos sempre inferiorizado na competição, porque o seu concorrente está fazendo a mesma coisa. Se ele der um passo na frente e você não, já está ficando para trás. O mundo de hoje é isso aí. Vence o que tiver capital humano maior e mais qualificado"

O Brasil possui, de 600 cientistas por milhão de habitantes, enquanto a China possui 1.100, a Rússia 3.100, a União Europeia 3.200, os Estados Unidos 3.900, Coréia e Singapura 6.400, Israel 8.300. Na América do Sul o Brasil está em segundo lugar, abaixo da Argentina que tem 1.200. Está havendo fuga dos cérebros cientistas para o Canadá, EUA, Alemanha , etc. País sem produção científica é nação sem futuro competitivo. O risco do retrocesso é iminente. País que não investe em saúde, educação, inovação, pesquisa e tecnologia  está fora da civilização moderna,  sem educação não vamos chegar à lugar algum".

 



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