ECONOMIA INDUSTRIAL : O VISIONÁRIO ELIEZER BATISTA SOBRE EXPORTAR COMMODITIES x PRODUTOS DE MAIOR VALOR AGREGADO
Recordo hoje do dia 07 de setembro de 2002, quando estava no sítio de Eliezer Batista em Pedra Azul no ES, ele não gostava de ser chamado de doutor; e sim Engenheiro Ferroviário. Ali estava também o seu grande amigo Artur Carlos Gerhardt Santos, ex-governador do ES, e o 1º presidente da Cia Siderurgica de Tubarão, a CST, hoje Arcellor Mital. Com a sabedoria e a visão extraordinária de sempre, ele tecia algumas críticas à política de desenvolvimento da nossa indústria nacional, comércio exterior, logística, baixa competitividade, baixa qualidade operacional e a pouca qualificação do nosso capital humano. Citava energia cara, carga tributária e burocracia idem (CUSTO BRASIL) Segundo ele, já naquela época, ou seja 23 anos atrás, o país já errava em não ter uma postura mais agressiva na exportação de produtos industrializados:

-"Eu vejo (essa elevada participação de produtos básicos nas exportações) como algo muito mau, nós estamos virando uma colônia europeia africana do século passado. E sem agregar valor você não cria empregos de qualidade, o que agrega valor e carrega mais tecnologia, pessoal mais qualificado e maiores salários. Disse que o Brasil precisa copiar o modelo coreano para se desenvolver com inovação. Aos 78 anos na época, Eliezer afirmou que no Brasil se fala muito em educação, mas pouco se faz para elevar a qualidade dos docentes no país. E criticou a falta de conhecimento aprofundado. O empregado brasileiro leva 1 hora para fazer o que o americano faz em 15 minutos. Falta de conhecimento nunca foi atestado de incompetência , pois é uma causa de limitação financeira, dificuldade de acesso e ausência de um projeto de educação de qualidade do país.
Nós temos que repensar o nosso modelo de exportações, porque um país que só exporta matéria prima; terá muitas dificuldades para ficar rico, ou em posIção avantajada. Mas não quer dizer que é pribido exportar commdities. Vamos supor que hoje a exportação está associada à logística marítma. Quando você avança para o interior de um país continental, o que você vai fazer com as sojas de Mato Grosso? Eu vou procurar exportar a soja de Mato Grosso, mas não como a soja verde. Eu vou para a industrialização máxima da soja como já se está fazendo no Rio Grande do Sul. Produzir proteínas isoladas de 95% de concentração, proteínas texturizadas de 75%, flavonóide, isoflavona, que vale 40 mil dólares a tonelada e isso tudo é frete aéreo. A logística é frete aéreo. À proporção que você se afasta, tem que industrializar, dar mais valor ao produto, para resistir à distância.
Em suma, o que nós fizemos na Vale do Rio Doce foi vender o produto mais barato do mundo na época, que era minério de ferro, para a maior distância, que era o Japão. O que se teve que fazer? Inventar narizes novos, gigantescos, com economia de escala, com versatilidade para trazer petróleo de volta, portos novos, tudo novo. Isso é inovação. O homem tem cabeça para fazer essas coisas. Sobre esse assunto a Alemanha ganha muito dinheiro com café e nós somos os maiores produtores do mundo, com as maiores fazendas produtoras de café do mundo."

WILSON BRUMER: “ELIEZER SEMPRE FOI UM HOMEM À FRENTE DE SEU TEMPO”
"Exportar cada vez mais conhecimento, Agregar valor ao seu produto, não virar só exportador de matéria-prima como a economia colonial da África antiga, que era exportação de matéria-prima das mais primitivas possíveis. Agora, a floresta tem utilização para tudo. Nós demos o exemplo da celulose aqui, como é que se originou? Imagina a quantidade de empregos que você cria com a celulose, não só de empregos no campo, mas empregos de qualidade em todo processo de industrialização. Uma boa parte dessa questão dos usos econômicos da floresta vem da exploração de biodiversidade e da busca de produtos farmacêuticos.
Essa é a área que está menos atacada, menos conhecida. E é, sobretudo, porque a biodiversidade é rica nos trópicos, justamente as que desenvolveram menos. A Europa é muito pobre em biodiversidade, já acabaram com tudo o que tinham. Aliás, nunca teve muita biodiversidade porque o clima é que define isso. Agora, aqui, infelizmente, é aquilo que eu lhe disse. Nosso futuro está no desenvolvimento científico e tecnológico. O que é a tecnologia? É o uso prático da ciência. Então você tem que criar pessoas, gente tecnologista, que tenha uma mente e DNA da ciência progressista de back up. Sem essa condição e sem investimento e pessoas competentes estaremos sempre inferiorizado na competição, porque o seu concorrente está fazendo a mesma coisa. Se ele der um passo na frente e você não, já está ficando para trás. O mundo de hoje é isso aí. Vence o que tiver capital humano maior e mais qualificado"
O Brasil possui, de 600 cientistas por milhão de habitantes, enquanto a China possui 1.100, a Rússia 3.100, a União Europeia 3.200, os Estados Unidos 3.900, Coréia e Singapura 6.400, Israel 8.300. Na América do Sul o Brasil está em segundo lugar, abaixo da Argentina que tem 1.200. Está havendo fuga dos cérebros cientistas para o Canadá, EUA, Alemanha , etc. País sem produção científica é nação sem futuro competitivo. O risco do retrocesso é iminente. País que não investe em saúde, educação, inovação, pesquisa e tecnologia está fora da civilização moderna, sem educação não vamos chegar à lugar algum".

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